Olá, investidor(a)! Uma das perguntas mais frequentes e cruciais para quem está montando ou otimizando sua carteira de investimentos é: “Quantas ações devo ter?” A busca pelo número perfeito de ativos é um dilema que envolve equilibrar a diversificação para reduzir riscos e a concentração para potencializar retornos. Afinal, queremos proteger nosso capital, mas também fazê-lo crescer de forma significativa. Existe um número mágico ou a resposta depende do seu perfil?
Vamos explorar essa questão a fundo, analisando dados sobre a redução de risco com a diversificação, a famosa “Magic Formula” de Joel Greenblatt e as valiosas perspectivas de influenciadores como Raul Sena, Bruno Perini e Charles Wicz. Nosso objetivo é ajudá-lo a encontrar o equilíbrio ideal para a sua carteira, sempre com foco na sua liberdade financeira.
A Ciência da Diversificação: Reduzindo o Risco Assistemático
A diversificação é uma estratégia fundamental para qualquer investidor. Ela consiste em espalhar seus investimentos por diferentes ativos para mitigar o risco. No contexto das ações, a diversificação ajuda a reduzir o risco assistemático, que é o risco específico de cada empresa (greves, problemas de gestão, lançamento de produtos falhos, etc.). Esse risco pode ser drasticamente diminuído ao adicionar mais ações à carteira.
| Número de Ações na Carteira | Redução do Risco Assistemático |
| 2 | 46% |
| 4 | 72% |
| 8 | 81% |
| 16 | 93% |
| 32 | 96% |
| 50 | 98% |
Como podemos observar, a maior parte da redução do risco assistemático ocorre com as primeiras ações adicionadas à carteira. Ter apenas 2 ações já corta quase metade do risco. Com 16 ações, a redução já é de 93%, o que significa que o risco específico de uma única empresa tem um impacto muito menor no seu portfólio total. A partir de um certo ponto, adicionar mais ações traz retornos marginais cada vez menores na redução de risco, enquanto aumenta a complexidade de gestão.
A Magic Formula de Joel Greenblatt: Qualidade e Preço
Joel Greenblatt, um renomado investidor e professor, popularizou a “Magic Formula” em seu livro “A Fórmula Mágica para bater o mercado de ações”. Essa estratégia busca identificar empresas de alta qualidade que estão sendo negociadas a preços atrativos, utilizando dois indicadores principais [1]:
1 ROIC (Return on Invested Capital): Mede a eficiência com que uma empresa utiliza seu capital investido para gerar lucro. Um ROIC alto indica uma empresa de alta qualidade, com boa gestão e capacidade de gerar valor.
2 Earnings Yield (EY): Calcula o lucro da empresa em relação ao seu valor de mercado. Um EY alto sugere que a ação está barata em relação aos seus lucros.
A Magic Formula sugere que, ao selecionar ações com base nesses critérios, uma carteira com 20 a 30 ações tende a superar o mercado no longo prazo. Em testes no Brasil, a aplicação da Magic Formula com 10 ações com maior potencial de retorno (baseado em dividendos e indicadores da Magic Formula) superou o Ibovespa em diversos períodos, reforçando a ideia de que a qualidade e o preço são fundamentais, independentemente do número exato de ativos [1].
A Visão dos Influenciadores: Qualidade vs. Quantidade
Para além dos números e fórmulas, a experiência de investidores e analistas renomados oferece insights valiosos sobre a quantidade ideal de ações:
• Raul Sena (Investidor Sardinha): Ele frequentemente aborda o tema da diversificação versus pulverização. Ele defende que o número ideal de ações para a maioria dos investidores pessoa física fica entre 15 e 25 ações [2]. Para ele, ter ações demais (acima de 50, por exemplo) leva à pulverização, onde o investidor não consegue acompanhar os fundamentos de cada empresa, diluindo os ganhos de ativos excepcionais. Sua frase célebre resume bem: “Quem diversifica demais não fica rico, mas quem não diversifica quebra” [2].
• Bruno Perini (Viver de Renda): Bruno Perini foca no custo de oportunidade do tempo. Ele argumenta que ter muitos ativos exige um tempo considerável de estudo e acompanhamento. Para o investidor pessoa física, o ideal é ter um número de ações que ele consiga acompanhar os resultados trimestrais de cada empresa. Para muitos, isso significa algo em torno de 10 a 20 ativos, permitindo uma análise mais aprofundada e decisões mais assertivas [3].
• Charles Wicz (Economista Sincero): Charles Wicz enfatiza a importância da diversificação setorial. Não basta ter 20 ações se todas forem do mesmo setor, pois isso não reduz o risco de forma eficaz. Ele defende que a diversificação serve para proteger o patrimônio, enquanto a concentração (em bons ativos) serve para multiplicá-lo. Sua recomendação geralmente aponta para uma carteira equilibrada, muitas vezes focada em dividendos, com cerca de 15 a 20 ativos, sempre com foco na qualidade das empresas [4].
O “Número Mágico”: Um Equilíbrio entre Risco e Retorno
Podemos concluir que não existe um “número perfeito” universal, mas sim uma faixa ideal para a maioria dos investidores pessoa física. Essa faixa geralmente se situa entre 15 e 25 ações.
• Por que não menos? Ter poucas ações (menos de 10) aumenta significativamente o risco assistemático. Se uma ou duas empresas tiverem problemas sérios, o impacto na sua carteira será devastador. A diversificação mínima é crucial para evitar o risco de ruína.
• Por que não mais? Ter muitas ações (acima de 30) pode ser ruim, onde a dificuldade de acompanhar cada ativo dilui os retornos e o investidor perde o foco. Além disso, o tempo e o esforço necessários para gerenciar uma carteira muito grande podem ser melhor empregados em outras áreas da vida ou em uma análise mais aprofundada de menos ativos.
Minha Opinião
A questão do número de ações na carteira é um dos pilares para a construção de um portfólio robusto. Acredito que a diversificação inteligente é a chave para o sucesso a longo prazo. Não se trata apenas de ter muitos ativos, mas de ter os ativos certos, em setores diferentes, e de conhecê-los profundamente. A faixa de 15 a 25 ações, como sugerido pelos especialistas e pelos dados da Magic Formula, parece-me um ponto de equilíbrio excelente para o investidor pessoa física. Gosto mais do menor número. Acredito que uma carteira entre 12 a 15 ações brasileiras é de bom tamanho. Permite uma boa redução de risco sem comprometer a capacidade de acompanhar e entender cada empresa. O foco deve ser sempre na qualidade das empresas e na sua capacidade de gerar valor, alinhado aos seus objetivos de longo prazo.
Não existe um número “perfeito” e imutável de ações para todas as carteiras, mas sim uma faixa ideal que oferece o melhor equilíbrio entre diversificação e concentração. A análise da Magic Formula de Joel Greenblatt e as visões de Raul Sena, Bruno Perini e Charles Wicz convergem para a ideia de que ter entre 15 e 25 ações em sua carteira é um ponto de partida excelente para a maioria dos investidores pessoa física. Essa quantidade permite reduzir significativamente o risco assistemático, manter a capacidade de acompanhar cada empresa e potencializar os retornos. Lembre-se: o mais importante é a qualidade dos ativos, a diversificação inteligente e a disciplina para manter sua estratégia no longo prazo.
Se você precisar de ajuda para montar uma carteira de ações diversificada e alinhada aos seus objetivos, investir com segurança, sair de dívidas ou planejar a compra de bens, eu posso ajudar. Entre em contato e vamos construir juntos o seu caminho para a liberdade financeira.
Referências
[1] Clube do Valor. Entenda a Magic Formula de Joel Greenblatt. Disponível em: https://www.clubedovalor.com.br/blog/magic-formula-joel-greenblatt/. [2] Raul Sena (Investidor Sardinha).QUANTAS AÇÕES DEVO TER NA MINHA CARTEIRA?. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HbKcTWpXGBA [3] Bruno Perini – Você MAIS Rico. MINHA CARTEIRA DE AÇÕES | Escolhendo minhas…. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=r2gI9FF8SXY [4] Charles Wicz (Economista Sincero). Como DIVERSIFICAR sua CARTEIRA e REDUZIR RISCOS no mercado financeiro. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=sxRZriotb48






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