O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é, para muitos, a porta de entrada para o mundo dos investimentos. Sua simplicidade e a segurança do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) o tornam um queridinho da renda fixa. No entanto, com o cenário econômico de 2026, marcado por uma Selic em patamares elevados e a recente liquidação de instituições financeiras como o Will Bank, a pergunta que ecoa é: ainda vale a pena investir em CDB? Ou será que existem opções mais inteligentes para o seu dinheiro?
Vamos desmistificar o CDB, analisar o cenário atual e apresentar alternativas que podem otimizar seus rendimentos e segurança, sempre com a visão dos especialistas que você confia.
A Armadilha do “Percentual Mágico”: Por Que 110% do CDI Pode Ser Perigoso
É comum ver CDBs de bancos médios e pequenos oferecendo rentabilidades atrativas, como 110%, 120% ou até mais do CDI. À primeira vista, parece um ótimo negócio, mas o investidor experiente sabe que rentabilidade maior geralmente vem acompanhada de risco maior. A liquidação do Will Bank em janeiro de 2026 [1] [2] [3] serviu como um doloroso lembrete de que a solidez do emissor é tão importante quanto a taxa oferecida.
Como bem alerta Raul Sena, o Investidor Sardinha, não vale a pena correr um risco desproporcional por 1% ou 2% a mais no CDI. A segurança da sua reserva de emergência e da parte conservadora da sua carteira deve ser prioridade. Bancos menores, por mais que ofereçam taxas sedutoras, podem ter uma saúde financeira mais frágil, aumentando o risco de crédito. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição, mas o processo de ressarcimento pode ser demorado e burocrático, como vimos no caso recente.
CDB vs. Tesouro Selic: Onde Colocar a Reserva de Emergência em 2026
A reserva de emergência é o pilar da sua segurança financeira. Ela precisa estar em um investimento de altíssima liquidez e baixíssimo risco. Tradicionalmente, o CDB com liquidez diária é uma opção popular. No entanto, em 2026, o Tesouro Selic se apresenta como um forte concorrente, e em muitos casos, uma opção superior.
| Característica | CDB com Liquidez Diária | Tesouro Selic |
| Emissor | Bancos (grandes, médios ou pequenos) | Governo Federal (considerado o mais seguro do país) |
| Rentabilidade | Geralmente atrelada ao CDI (próximo da Selic) | Taxa Selic |
| Liquidez | Diária (resgate a qualquer momento) | Diária (resgate em D+1) |
| Risco de Crédito | Risco do banco emissor (coberto pelo FGC até R$ 250k) | Risco soberano (praticamente zero) |
| Imposto de Renda | Tabela regressiva (a partir de 22,5% para até 180 dias) | Tabela regressiva (a partir de 22,5% para até 180 dias) |
| Taxas | IOF (se resgate em menos de 30 dias) | IOF (se resgate em menos de 30 dias) + Taxa da B3 (0,20% a.a. acima de R$ 10 mil) |
Para Bruno Perini, do canal Você MAIS Rico, o Tesouro Selic é uma excelente opção para a reserva de emergência, oferecendo a segurança do governo e liquidez diária com rentabilidade atrelada à taxa básica de juros. A pequena taxa da B3 (0,20% ao ano para valores acima de R$ 10 mil) é um custo baixo pela segurança e praticidade.
O Poder do IPCA+: Proteção Real Contra a Inflação Silenciosa
Em um cenário de inflação persistente, como o que o Brasil tem enfrentado, proteger o poder de compra do seu dinheiro é fundamental. É aqui que os CDBs atrelados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) brilham. Eles oferecem uma rentabilidade que combina uma taxa fixa mais a variação da inflação, garantindo um ganho real acima da alta de preços.
Essa modalidade é ideal para objetivos de médio e longo prazo, como a compra de um imóvel, a faculdade dos filhos ou a aposentadoria. Ao investir em um CDB IPCA+, você se resguarda da corrosão inflacionária e garante que seu dinheiro terá um poder de compra maior no futuro.
LCI/LCA como Alternativa: Quando a Isenção de IR Vence o CDB
As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são investimentos de renda fixa emitidos por bancos para financiar os setores imobiliário e do agronegócio, respectivamente. A grande vantagem dessas aplicações é a isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas [4].
Em muitos casos, uma LCI ou LCA que rende 90% ou 95% do CDI pode ser mais vantajosa do que um CDB que rende 110% do CDI, especialmente para prazos mais curtos, onde a alíquota de IR sobre o CDB é maior. É crucial fazer o cálculo líquido para comparar as rentabilidades de forma justa.
Marcação a Mercado em Renda Fixa: Como Ganhar com a Queda dos Juros
CDBs prefixados e IPCA+ com prazos mais longos podem ser ferramentas poderosas para investidores que buscam uma estratégia mais ativa. Em momentos de Selic alta, como o atual, é possível “travar” taxas de juros elevadas. Se, no futuro, a Selic começar a cair, esses títulos tendem a se valorizar no mercado secundário.
Esse fenômeno é conhecido como marcação a mercado. Se você precisar vender o título antes do vencimento e os juros estiverem mais baixos do que quando você comprou, seu título valerá mais, e você pode obter um lucro extra. No entanto, o inverso também é verdadeiro: se os juros subirem, seu título pode desvalorizar. Por isso, essa estratégia exige um bom entendimento do mercado e tolerância à volatilidade.
Minha Opinião
O CDB continua sendo um investimento relevante em 2026, mas o investidor precisa ser mais criterioso do que nunca. A era do “dinheiro fácil” na renda fixa, onde qualquer CDB pagava bem, está dando lugar a um cenário que exige análise e estratégia. Não se deixe levar apenas pela promessa de um percentual alto do CDI. Olhe para a solidez do emissor, para a função que o investimento cumpre na sua carteira e para as alternativas que o mercado oferece.
Sua reserva de emergência deve estar em um local seguro e com liquidez, como o Tesouro Selic ou CDBs de grandes bancos. Para objetivos de médio e longo prazo, explore os CDBs IPCA+ e as LCIs/LCAs, aproveitando a isenção de IR. E se você tem um perfil mais arrojado e entende de mercado, use a marcação a mercado a seu favor. O importante é ter clareza sobre seus objetivos e não se contentar com o básico.
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Referências
[1] InfoMoney. (2026, 19 de fevereiro). Liquidação Will Bank: Banco Master sob vigilância do BC. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/economia/liquidacao-will-bank-banco-master-vigilancia-bc/
[2] InfoMoney. (2026, 19 de fevereiro). Era cliente do Will Bank? Saiba como ficam cartões, saldos em conta e dívidas. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/era-cliente-do-will-bank-saiba-como-ficam-cartoes-saldos-em-conta-e-dividas/
[3] InfoMoney. (2026, 19 de fevereiro). Investidor do Master e do Will Bank divide o mesmo limite do FGC: entenda. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/investidor-do-master-e-do-will-bank-divide-o-mesmo-limite-do-fgc-entenda/
[4] InfoMoney. (2026, 19 de fevereiro). Quando vale a pena investir em CDB? Saiba como ele pode se encaixar na sua estratégia. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/onde-investir/vale-a-pena-investir-em-cdb/






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