Olá, investidor(a)!
O mercado de criptoativos, sempre dinâmico e repleto de emoções, nos presenteou com mais um capítulo de alta volatilidade em fevereiro de 2026. Após um 2025 de montanha-russa que culminou na renovação da máxima histórica em US$ 126.199, o Bitcoin (BTC) iniciou o ano sob forte pressão vendedora, despencando para a região dos US$ 60 mil. Essa queda abrupta, que fez muitos questionarem se o “inverno cripto” estaria de volta, levanta uma questão fundamental: o Bitcoin encontrou seu fundo ou estamos apenas no começo de uma correção mais profunda?
Longe de ser um evento isolado, esse movimento reflete uma complexa interação de fatores técnicos, macroeconômicos e de sentimento de mercado. Para o investidor do Valor7, entender essa dinâmica é crucial para transformar o que parece ser um momento de pânico em uma oportunidade estratégica. Vamos mergulhar nas análises e nas visões dos especialistas para desvendar o que realmente está acontecendo.
A Tempestade Perfeita: O Que Levou o Bitcoin aos US$ 60 Mil?
A recente desvalorização do Bitcoin não pode ser atribuída a um único fator, mas sim a uma confluência de eventos. Do ponto de vista técnico, a incapacidade de sustentar o patamar acima dos US$ 120 mil após a máxima histórica de outubro de 2025 deu origem a um movimento corretivo. O preço operando abaixo das médias móveis e a formação de topos e fundos descendentes reforçaram o viés negativo no curto prazo.
No entanto, a pressão vendedora se intensificou por fatores macroeconômicos e regulatórios. A implementação do Basileia III, que aumentou as exigências de capital para instituições financeiras com exposição a criptomoedas, levou bancos e fundos a reduzirem suas posições de forma gradual e sistemática. Além disso, a mudança na política de juros do Banco Central do Japão, encerrando anos de dinheiro barato, impactou a liquidez global, afetando ativos mais voláteis como as criptomoedas.
Alexandre Stormer, trader e sócio-fundador da Liberta (XP), destaca que esse movimento não é uma aversão global ao risco, já que mercados tradicionais como S&P 500 e Nasdaq seguem renovando máximas. Ele aponta que a pressão vendedora vem se desenhando desde o segundo semestre de 2025, com um “sell-off” clássico em fevereiro de 2026, caracterizado por liquidações de posições alavancadas e pânico no mercado.
O Fundo é Aqui? O Que Dizem os Indicadores e as “Baleias”
Apesar do cenário de pânico, há sinais de que a região dos US$ 60 mil pode ter sido um ponto de exaustão vendedora. Indicadores de sentimento, como o Índice de Medo e Ganância do Bitcoin, atingiram 5 pontos (medo extremo) no final da semana passada. Historicamente, níveis tão baixos costumam preceder reversões ou, no mínimo, fortes repiques técnicos.
Os dados on-chain (diretamente da blockchain) reforçam essa tese. A CryptoQuant registrou a entrada de aproximadamente 67.000 BTC em endereços de acumulação em 06 de fevereiro de 2026, o maior volume de entrada em um único dia neste ciclo. Isso sugere que grandes investidores, as chamadas “baleias”, estão aproveitando a queda para acumular, enquanto o varejo entra em pânico. O MVRV Z-Score, outro indicador on-chain que avalia se o Bitcoin está sobre ou subvalorizado, caiu para níveis historicamente baixos, indicando que o ativo pode estar abaixo do seu “valor justo”.
Alexandre Vasarhelyi, gestor de portfólio da B2V Crypto, avalia que quedas da ordem de 50% são recorrentes na história do Bitcoin e que, se não houver um novo choque de crédito (como a quebra da FTX em 2022), os US$ 60 mil podem, sim, ter sido o fundo.
A Visão dos Nossos Mentores: Oportunidade ou Alerta Vermelho?
Para navegar nesse cenário, a sabedoria dos nossos especialistas é fundamental:
•Bruno Perini (Viver de Renda): Perini observou que o pânico gerado pela queda do Bitcoin para US$ 60 mil foi maior do que o visto na quebra da FTX, quando o ativo estava em US$ 15 mil. Para ele, o índice de medo extremo é um sinal de oportunidade para quem tem visão de longo prazo e entende que o Bitcoin está construindo uma base sólida, independentemente do ruído de curto prazo.
•Raul Sena (Investidor Sardinha): Fiel à sua filosofia, Raul alerta que o maior perigo não é a queda em si, mas sim “comprar na alta e vender na baixa”. Ele vê essa correção como um momento de “limpeza” do mercado, separando os investidores conscientes dos especuladores. Para quem acredita nos fundamentos do Bitcoin, a queda pode ser uma excelente oportunidade de aporte.
•Charles Wicz (Economista Sincero): Charles traz uma visão pragmática, classificando a queda como “saudável” para o mercado. Ele argumenta que correções limpam o excesso de alavancagem, dão fôlego para novas altas e criam janelas de entrada para quem tem caixa. Wicz também levanta a questão de que o Bitcoin pode ter se tornado “refém” das narrativas de IA e da liquidez global, mas reforça a importância da custódia própria e da disciplina.
Estratégias para o Investidor em 2026
Diante desse cenário, qual a melhor forma de agir? A resposta, como sempre, depende do seu perfil e horizonte de investimento. No entanto, algumas estratégias se destacam:
| Estratégia | Descrição | Vantagens | Riscos |
| DCA (Dollar-Cost Averaging) | Aportes regulares, independentemente do preço. | Reduz o risco de timing de mercado, disciplina. | Pode perder oportunidades de grandes quedas. |
| Acumulação Estratégica | Aportar mais em quedas significativas, como a atual. | Potencializa ganhos em recuperação. | Exige caixa disponível e controle emocional. |
| Rebalanceamento de Carteira | Vender ativos que subiram e comprar os que caíram. | Mantém a alocação de risco desejada. | Pode gerar custos de transação e impostos. |
| Foco no Longo Prazo | Ignorar a volatilidade de curto prazo. | Evita decisões emocionais, aproveita o potencial de crescimento. | Exige paciência e convicção nos fundamentos. |
Minha Opinião
Como consultor financeiro, vejo a queda do Bitcoin para US$ 60 mil não como um desastre, mas como um teste de maturidade para o mercado e para o investidor. A institucionalização trouxe mais estabilidade, mas também expôs o Bitcoin a fatores macroeconômicos que antes eram menos relevantes. A lição aqui é clara: o Bitcoin não é mais um ativo de “ganhos fáceis”, mas um componente estratégico de uma carteira diversificada.
Minha recomendação é manter a calma, revisar sua alocação e, se possível, aproveitar para fazer aportes estratégicos, sempre com dinheiro que você não precisará no curto prazo. A disciplina de aportes constantes (DCA) e a convicção nos fundamentos de longo prazo são seus maiores aliados. O mercado de criptoativos amadureceu, e com ele, a necessidade de uma abordagem mais racional e estratégica.
O Bitcoin a US$ 60 mil em fevereiro de 2026 é um reflexo de um mercado em transição. A pressão vendedora, impulsionada por fatores macro e regulatórios, encontrou um ponto de interesse para grandes investidores, que veem na correção uma oportunidade de acumulação. As visões de Bruno Perini, Raul Sena e Charles Wicz convergem para a ideia de que o momento exige estratégia, disciplina e foco no longo prazo.
Se você precisa de ajuda para entender como essa queda se encaixa na sua estratégia de investimentos, como montar uma carteira diversificada que suporte a volatilidade do mercado cripto, ou até mesmo como sair de dívidas para começar a investir com segurança, eu posso ajudar. Vamos construir juntos um plano que proteja seu patrimônio e te leve à liberdade financeira.
Referências
[1] InfoMoney. Bitcoin encontrou fundo após despencar para US$ 60 mil? Mercado faz apostas.
[2] InfoMoney. Pressão vendedora derruba criptomoedas em 2026; entenda a queda e o que esperar.
[4] Binance. Bitcoin MVRV Z-score reaches historic low, possibly nearing the end of adjustment.
[7] Wicz, Charles. Charles Wicz: Bitcoin virou refém das IAs? Por que o BTC desabou?. Finance News.






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